É comum, mas pouco rigoroso, pensar no uso das expressões fólio, quarto, oitavo, etc., e as suas subdivisões – eg. 8.º gr., de grande – como indicador do tamanho do livro. A indicação do formato de um livro, ainda que influencie o seu tamanho, é um termo técnico e bibliográfico para indicar a relação entre o número de páginas impressas e a folha inteira de impressão. De forma simples, tentamos mostrar-lhe o que é o formato de um livro e como identificá-lo.

Um livro começa por ser uma folha de grandes dimensões na qual são impressas as várias páginas (imposição) que depois de dobradas formam os cadernos. Por sua vez, estes são colocados numa determinada ordem até formarem o livro.

O formato – fólio, 4.º, 8.º, etc. – é determinado pelo número de vezes que essa grande folha é dobrada para formar o caderno. Para que, mediante a dobragem, todas as páginas fiquem no lugar certo a folha é composta de determinada forma. A essa disposição, que varia de acordo com o formato pretendido, chama-se imposição.

Esquema para formato fólio
Esquema para formato quarto
Esquema para formato oitavo

Imposição

Formatos diferentes exigem formas diferentes de imposição e no período da impressão manual teve demasiadas formas para se elencarem. As formas mais comuns são o fólio – por vezes usa-se a nomenclatura  numérica 2.º para o fólio -, uma dobragem, criando 2 folhas ou 4 páginas; o 4.º, duas dobragens, com 4 folhas ou 8 páginas; o 8.º, três dobragens, 8 folhas ou 16 páginas. Ainda como formatos simples, mas mais invulgares, temos o pleno, folha de impressão sem qualquer dobragem ou o 16.º formado por quatro dobragens, 16 folhas ou 32 páginas.

Esquema de imposição para formato 12.º em 8.º e 4.º

Existem outras imposições, mais complexas, que muitas vezes implicavam um corte da folha antes da dobragem para serem correctamente montados os respectivos cadernos. É o caso do formato 12.º, formado por um total de 12 folhas ou 24 páginas. Dependendo do que o impressor desejava, era obtido através de três dobragens pelo lado maior e duas pelo lado menor ou cortando a folha de impressão formando duas partes, uma com 8 folhas e outra com 4 que depois de dobrados se juntavam para formar o caderno.

Compreendemos agora como, ainda que influencie, o formato não indica necessariamente que um livro em formato fólio é maior que um livro em 4.º. Se as folhas de impressão tiverem exactamente a mesma dimensão, o fólio será maior que o 4.º, mas se uma folha é maior que a outra, é possível obter um 4.º com o mesmo tamanho ou mesmo maior que um fólio. Um exercício simples para ajudar a compreender: com uma folha A4 dobre duas vezes para obter um 4.º, com outra folha de formato A5 (que no formato ISO tem exactamente metade da dimensão do A4) dobre uma vez, obterá exactamente a mesma dimensão do caderno 4.º, mas tem, na verdade, um caderno fólio. Ainda que a grande maioria das vezes, as dimensões da folha de impressão não varia assim tanto, estes casos encontram-se.

Da imposição resulta também que as marcas de água aparecem em páginas diferentes e a orientação das vergaturas e pontusais alternam entre o horizontal e o vertical.

Assinaturas

No período da impressão manual, só gradualmente foi desenvolvido um sistema de numeração de folhas ou páginas, mas consistentemente os impressores usaram o que hoje chamamos de assinaturas. As assinaturas encontram-se na parte inferior da impressão, por norma usando uma combinação de letra e número, identificando desta forma cada um dos cadernos que formaria o livro. Por exemplo, a assinatura H2 apareceria na segunda folha do caderno H. O mais comum é que as assinaturas apareçam apenas na primeira metade do caderno. Estando estas correctamente colocadas, as restantes, forçosamente, estariam no seu lugar. Também comum é encontrar-se cadernos preliminares numerados com símbolos – §, por exemplo – e os fólios de texto com letras – A, B, C, …, Aa, Bb, Cc, …, Aaa, Bbb, Ccc,… As assinaturas dos cadernos encontram-se indicadas nas bibliografias mais completas e são, por vezes, a única forma de aferir se um determinado exemplar está completo ou não.

Como identificar então o formato de um livro? O modo de identificar correctamente o formato de um livro, implica a análise de três factores.

Em primeiro lugar é preciso determinar qual a orientação das vergaturas e pontusais. Como é possível ver nas imagens em cima, estas serão horizontais ou verticais, conforme a imposição. Um fólio terá os pontusais na posição vertical, um 4.º na posição horizontal, um 8.º de novo na vertical, etc.. Em segundo lugar, a posição das marcas de água. O lugar destas – página onde é visível – será diferente conforme o número de páginas em cada folha e conforme a dobragem. Finalmente o número de folhas por cada caderno.

Porque é a análise ao formato importante? Sem dúvida, para aqueles que coleccionam livros antigos, o mais importante será a saber se um exemplar está completo. A análise ao formato indicará quantas páginas ou fólios cada caderno deverá ter, e, consequentemente, compreender se existe alguma falta, mesmo que seja um fólio em branco. Em alguns casos, principalmente no que diz respeito a incunábulos, é mesmo a única maneira de o saber, pois não possuem qualquer numeração para além das assinaturas dos cadernos.

De um ponto de vista bibliográfico, a identificação do formato ajuda ainda a compreender uma variedade de características do exemplar. Entre outras, será possível detectar: paragens na impressão para corrigir erros que, por norma, levam a alterações em várias páginas da mesma folha; anomalias na disposição da página; irregularidades na montagem dos cadernos – existência de um caderno de 6 fólios no meio de um livro em formato 4.º; ou diferenças no papel utilizado dentro do mesmo caderno podendo indicar proveniências várias ou até facsimiles bem disfarçados.

Compreender o que é o formato, saber identificá-lo, ao menos nos seus casos mais comuns, é uma importante ferramenta para o coleccionador, especialmente se a sua colecção incluir obras de épocas mais recuadas, ao mesmo tempo que o ajudará a entender o complexo processo de produção de um livro.

Aqui ficam dois vídeos [em inglês] sobre o formato.

Um vídeo realizado em 1991 intitulado “A Anatomia do Livro, formato na época da impressão manual”, bastante completo.

Outro vídeo, mais pequeno e mais simples, sobre como identificar formatos.