Tive o privilégio de já ter vendido, através da Ecléctica Leilões, um exemplar de uma das mais emblemáticas e importantes fontes coevas para a história da presença portuguesa na Índia.

Segundo António José Saraiva, a História do descobrimento e conquista da Índia «é talvez a exposição de conjunto mais objectiva e exacta da expansão dos portugueses no Oriente.»

Fernão Lopes de Castanheda trabalhou cerca de 20 anos nesta sua obra, tendo falecido de forma bastante modesta em Coimbra em 1559. D. Manuel e Inocêncio dá-lo como natural de Santarém, cerca de 1500. Entrando muito novo para a ordem de S. Domingos, da qual saiu pouco depois, partiu com seu pai, Lopo Fernandes de Castanheda, em 1528, para a Índia com a armada de Nuno da Cunha aí passando 10 anos. Durante esse tempo estudou os documentos, colheu informações e falou com aqueles que tinham presenciado os factos sobre os quais desejava escrever.

A obra começa com o descobrimento do caminho marítimo e pretendia terminar com o segundo cerco de Diu em 1546, mas o seu projecto nunca terminou, acabando apenas por serem publicados 8 dos 10 volumes planeados, salvando-se 31 capítulos do livro 9, copiados pelo jesuíta Maffei.