Aplicada à imprensa, a palavra cólofon designa a nota impressa no final do livro, normalmente no último fólio do volume, mas por vezes presente no final do texto ou parte de um volume, dando informação sobre título da obra, nome do autor, impressor, lugar de impressão e data, ou seja, os dados que constituem a informação mínima para a identificação da obra e edição.

Cólofon da obra de Francisco Álvares, Ho preste joham das Indias, impresso por Luís Rodrigues em 1540

Desde o início do século XVI que o cólofon foi grandualmente substituído pelo frontispício, havendo casos em que coexistem e que até apresentam informações contraditórias, mas em obras impressas nos primeiros anos da tipografia móvel, o cólofon era a única forma de identificar a edição correspondente. É por essa razão que a presença do cólofon num dado exemplar é deveras importante, tornando muito difícil um estudo bibliográfico completo e rigoroso quando o mesmo está em falta. (1)

Além do cólofon, desde os primórdios da impressão que muitos tipógrafos usaram marcas próprias nos seus trabalhos. Uma das mais famosas, ainda que não a mais antiga, é a utilizada por Aldus com âncora e golfinho.

Marca de impressor de Aldus
Marca de impressor de Luís Rodrigues

Ainda que a prática de incluir um cólofon nas edições tenha caído em desuso, ainda hoje algumas obras incluem-no, especialmente aquelas de tiragem limitada ou edições para bibliófilo.


(1) Como exemplo da dificuldade e importância da presença do cólofon, veja-se o caso do “Tratado da Eloquência” atribuído a Cataldo Sículo e identificado por Manuel Saraiva Barreto. O autor inicialmente pensou tratar-se de uma publicação de início do século XVI, tendo depois chegado à conclusão que se tratava de uma impressão incunabulástica. Só depois da descoberta de outro impresso de quatrocentos pelo Prof. João José Alves Dias, e a comparação dos cunhos usados num e noutro, foi possível datar o fragmento como tendo sido impresso cerca de 1488. (veja-se, sobre este assunto, DIAS, João José Alves, «Nova Forma da Transmissão do “Verbo” – A Imprensa» in Nova História de Portugal: Portugal do Renascimento à Crise Dinástica, coordenação João José Alves Dias; Direcção de Joel Serrão e A.H. de Oliveira Marques, Editorial Presença, Lisboa, 1998, p. 496)