Artigo convidado

#bibliofilia

Socorremo-nos aqui de uma referência editorial contemporânea, para apresentar uma curiosidade bibliográfica. Em época de re(descoberta) do mundo rural e da Agricultura (sobretudo por alguma população urbana), o Borda d’Água é uma referência essencial. O “Repertorio…” para o ano de 1866, é um belíssimo exemplar de criatividade e de simplicidade gráfica.

Socorremo-nos aqui de uma referência editorial contemporânea, para apresentar uma curiosidade bibliográfica.

ZACUTO, Abraão, ca 1450-ca 1532. Almanach perpetuum / [trad. lat.] José Vizinho. – Leiria : Abraão d’Ortas, 25 Fevereiro 1496. – [168] f. ; 4º – http://purl.pt/22001

A impressão de almanaques em Portugal tem uma longa tradição, que se estende até ao século XV, mais precisamente ao “Almanach perpetuum”, de Abraão Zacuto, impresso em Leiria, no ano de 1496, talvez impresso para contribuir para a eliminação de algumas tormentas, em ano de dobra do cabo com o mesmo nome.

Versava este célebre “almanaque” sobre as declinações do Sol, o que, em conjunto com ulteriores explicações também impressas, foram de extrema importância para as navegações das Descobertas.

Em época de re(descoberta) do mundo rural e da Agricultura (sobretudo por alguma população urbana), o Borda d’Água é uma referência essencial e, dizem os entendidos, um repositório de informações essenciais à proliferação de uma boa horta e de um belo jardim, para além dos sábios e prudentes conselhos, de natureza social.

REPERTORIO Que contém as prognosticações dos tempos, com as phases da lua e mais planetas, etc. (Para o anno de 1866), Porto, Typographia de A. Pereira Leite (s.d.) – 32 pp.; il.;  150 mm

O “REPERTORIO Que contém as prognosticações dos tempos, com as phases da lua e mais planetas, etc.”, impresso no Porto, na Typographia de A. Pereira Leite (s.d.), para o ano de 1866, é um belíssimo exemplar de criatividade e de simplicidade gráfica (e de candura a condizer), atendendo aos padrões da época.

Para além da capa, cuja composição algo tosca, não deixa de ser ilustrativa do conteúdo e rica em referências, as demais 31 páginas que compõem este humilde repositório são adornadas com 4 gravuras adicionais, ilustrando tipos sociais, acompanhados de poesias cómicas e de um “conto persa inedicto”.

Contém ainda um calendário de Santos, alguns conselhos ao agricultor, bem como indicação das fases da Lua e informações sobre o Sol.

Transcrevemos a quadra inicial do capítulo “O Bêbedo”:

Que me importa que um dia
Digam que sou borrachão..
Amo o vinho da taberna
E bebo até cahir ao chão!

Nuno Oliveira
BAS Advogados