Artigo convidado

#leitura #livrosnoslivros

Leitores ávidos, portanto? Consumidores de livros, devoradores de livros, a aventura dos livros. Ler, Ler, Ler: «nas férias faço-me acompanhar de vários», «na mesa de cabeceira tenho um monte». Depois de desperto o gosto pelas coisas novas, somos leitores insaciáveis. Problema? Encontros e desencontros, e sempre rápidos. Poderia ser de outro modo?

Um Clássico. Séneca ad Lucilium.

“Toma, porém, atenção não vá essa tua leitura de inúmeros autores e de volumes de toda a espécie arrastar algo de indecisão e de instabilidade […] Estar em todo o lado é o mesmo que não estar em parte alguma! Ora quem passa a vida em viagens acontece ter muitos conhecimentos fortuitos, mas nenhum amigo verdadeiro; o mesmo sucede logicamente àqueles que não se aplicam intimamente ao estudo de um pensador, mas sim percorrem todos de passagem e a correr. Um alimento que mal é ingerido imediatamente é “devolvido”, não aproveita nem dá força ao corpo; igualmente nada prejudica tanto a saúde como a frequente mudança de medicamentos […] nada enfim, por muito útil, conserva a utilidade em contínua mudança. Demasiada abundância de livros é fonte de dispersão; assim, como não poderás ler tudo quanto possuis, contenta-te em possuir apenas os que possas ler.”

Lúcio Aneu Séneca, Cartas a Lucílio, I, 2, Lisboa, Gulbenkian, 2009, p.3
Epistolae ad Lucilium (italiano). – Impresse nella inclita citta de Venetia : per industria di Sebastian Manilio romano … insiemi con li providi huomini stefano Bernardino Dinali fratelli, MCCCCLXXXXIIII a di XIIII di Aprile.

Hugo Chelo
Professor Universidade Católica