Artigo convidado

#bibliofilia #literatura

Uma referência incontornável da crítica literária portuguesa, a Colóquio Letras conta já com 197 números publicados. Herdeira da “Colóquio – revista de Artes e Letras”, é dirigida por Hernâni Cidade e Jacinto do Prado Coelho, secretariada por Luís Amaro, a revistaColóquio/Letras estreou-se com periodicidade bimestral, passando a trimestral em 1992. Em 1984 David Mourão-Ferreira assume a sua direcção que, entre 1996 e 2008, é assegurada por Joana Varela. Em 2009, sob a direcção de Nuno Júdice, a revista retoma um ritmo regular com uma periodicidade quadrimestral.

Para além de constituir um instrumento fundamental de consulta, tanto para fins bibliográficos, como de crítica literária e referência, a Colóquio Letras tem uma componente gráfica singular, relativamente homogeneizada até 1992, mais diversificado após esta data.

Herdeira da “Colóquio – revista de Artes e Letras”, publicada Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1959 e 1970,  a Colóquio Letras procurou seguir as intenções manifestadas na primeira Colóquio, mas já apenas na área das “Letras”, no sentido de ser aberta, tolerante, diversa e actual, com uma vinculação aos aspectos precursores e universalistas do espírito Português.

Com 197 números publicados desde 1970 (o último dos quais dedicado a Camões, em Janeiro), a Colóquio Letras apresenta, para além de um conteúdo científico de referência e de profusamente ilustrada, uma grande riqueza gráfica na capa.

Após 107 números com uma diversidade cromática limitada e duas faixas brancas na capa, contra-capa e lombada, a Colóquio Letras iniciou uma (r)evolução gráfica com o número duplo 123/124, de Janeiro de 1992 (com uma belíssima capa com base em obra de Rosa Carvalho e curiosamente dedicado a Antero…).

Com capas e arranjos gráficos realizados com base em obras de António Sena, Sofia Areal, José Pedro Croft, Rui Chafes, Irene Lisboa, Luís Manuel Gaspar, Graça Morais e Jorge Martins, entre outros, os números da Colóquio Letras são hoje também colecionados por este aspecto.

Para os leitores mais conservadores, fica então o período até 1992, caracterizado pela homogeneidade e limitação ao nível da composição e dos elementos cromáticos, a fazer lembrar o trabalho gráfico de outras editoras, como a Inglesa Penguin ou a célebre colecção Francesa “que sais-je?”, da Presses Universitaires Françaises.

Primeiro número da revista Colóquio Letras, publicado em Março de 1971.
Número 123 dedicado a Antero de Quental que marca o início de um novo arranjo gráfico.
Último número publicado até à data, dedicado a Luís de Camões.

Nuno Oliveira
BAS Advogados