Artigo convidado

#livrosnoslivros #bibliofilia

Será que alguém nos poderá olhar a partir de um livro? Então, é ao contrário: um clássico não é um livro que muita gente lê, mas esse “alguém” que nos leu antes de o termos lido. Esses são encontros que nunca mais se esquecem.

Mais do que tudo… 

"Perdemos repentinamente
a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos conservar

mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou."

Pergunte-se ao poeta: poderá ser um livro? E porque não? Também connosco as metáforas brincam a toda a hora. É assim que o livro deixa de ser algo que muita gente lê, para ser “alguém meu”, que me olhou e, doravante, eu serei dele.

Poesia citada: José Tolentino Mendonça, «Calle Principe, 25» in: Baldios, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999, p. 16.

por HUGO CHELO
consultor Ecléctica Leilões em 2017